12/07/2021 às 15h52min - Atualizada em 12/07/2021 às 16h20min

Dor lombar pode ser sinal de endometriose no nervo ciático, saiba como identificar

Sintomas podem se confundidos e causar o diagnóstico tardio; especialista em cirurgia ginecológica alerta para os sinais dessas doenças

SALA DA NOTÍCIA Fernanda Simplicio
 

Dores fortes na região lombar, cólicas frequentes e câimbras nas pernas podem ser sinais de outra doença gerada pelo avanço da endometriose, o acometimento do nervo ciático. Apesar de não ser tão frequente, a condição causa incômodos e dificulta a mobilidade das mulheres atingidas. Segundo o especialista em endometriose e cirurgia ginecológica, Dr. Thiers Soares, os sintomas das duas doenças podem ser confundidos e, na grande maioria, as mulheres acreditam sofrer apenas de uma delas. 

 

A endometriose é uma doença inflamatória do sistema reprodutor feminino, ocasionada quando o endométrio - tecido que reveste o útero por dentro - se instala em vários locais na cavidade abdominal, como ovário, intestino e bexiga. Dessa forma, a doença pode encontrar várias formas de manifestação, inclusive na região do nervo ciático. 

 

Para quem não conhece, a dor no nervo ciático ou ciatalgia é um problema comum que atinge quase 15% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde - OMS.  Este nervo é formado pela conjunção de raízes que saem da região mais baixa da coluna vertebral e é responsável pela enervação da perna, além da movimentação dos pés.

 

Dr. Thiers Soares explica que o nervo ciático é formado por ramos lombares (L4 e L5) e ramos sacrais (S1, S2 e S3). “Ele tem um componente inicial que se localiza na pelve, mas se alonga até a região posterior da coxa. Dessa forma, ele é um dos responsáveis por controlar  as articulações do quadril, joelhos e tornozelos, além dos músculos das pernas e pés, afirma. 

 

Este tipo de endometriose no ligamento uterossacro é o local mais comum de endometriose profunda na pelve, porque o ligamento inicia no útero e termina no sacro, principal motivo da dor se espalhar nas costas para a região sacro. 

 

Sintomas da endometriose no nervo ciático

 

Os sintomas da endometriose podem se manifestar a partir de alguns indícios, como: 

  • Fortes dores na região lombar
  • Cólicas menstruais fortes que irradiam as dores para as costas
  • Dores e câimbras na região posterior das coxas e pernas
  • Dificuldades para caminhar
 

Além das dores comuns, a endometriose, caracterizada-se por sangramentos menstruais intensos e desregulados, fadigas, dores fortes durante as relações sexuais, sangramento intestinal no período menstrual e dificuldades para engravidar. 

 

“Existe até uma confusão sobre os sintomas de cada uma das doenças, mas o principal ponto de diferenciação pode ser a relação das queixas de dor em coincidência com o período menstrual, favorecendo o diagnóstico de endometriose”, reforça Thiers. 

 

Tratamento requer atenção e acompanhamento médico

 

Por ser uma condição rara, é necessário fazer uma investigação intensa dos sinais apresentados para determinar o diagnóstico, por isso, é importante realizar os exames de rotina indicados pelo ginecologista. “Algumas pacientes podem se recuperar com o tratamento medicamentoso, como anti-inflamatórios e opióides, entretanto, muitas vezes, o tratamento cirúrgico é o mais indicado para estes casos”, conta Soares. 

 

Para este tipo de condição, o especialista em cirurgia ginecológica aponta para as técnicas da laparoscopia e a robótica como opções para o tratamento. “Por serem procedimentos menos invasivos, a laparoscopia e robótica permitem uma recuperação mais rápida, oferecendo melhor qualidade de vida para as pacientes”, relata o cirurgião e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva - Capítulo Rio de Janeiro (SOBRACIL-RJ). 

 

A partir da escolha pela cirurgia robótica, o profissional pode atuar com mais mobilidade durante o procedimento, isto porque o robô entrega uma alta capacidade de articulação, bem diferente do que teria manualmente, com movimentos mais precisos e angulados. “Como complemento ao tratamento, é importante associar a fisioterapia pélvica para trazer uma recuperação mais rápida para a paciente, aliviando as dores e levando a paciente retornar a sua rotina”, conclui. 


 
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