18/08/2021 às 17h40min - Atualizada em 22/08/2021 às 00h00min

Vida e hábitos simples para combater o tédio

Paulo Ricardo Benedito Junior Bumbeer (*)

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com
Divulgação
Estamos cada vez mais apáticos. É comum as pessoas dizerem que estão entediadas. Nas redes sociais muitos postam: “Que tédio, nada para fazer”. Mas, por que tamanho desânimo se atualmente possuímos tantas informações e novidades tecnológicas?

Teoricamente, o ser humano, mais do que em qualquer outra época, tem muito o que fazer e com o que se impressionar, apesar disso, o que muitos sentem é vazio e angústia. Percebe-se então um quadro paradoxal: de um lado mais informações e conexões virtuais entre pessoas e, de outro, o tédio.

Dostoiévski, em sua obra Crime e Castigo, foi certeiro ao revelar os efeitos da apatia no ser humano. Raskólnikov, personagem principal, morava sozinho num quarto alugado e era muito inteligente, embora sem recursos para continuar seus estudos. A vida pobre somada à inatividade formava o cenário perfeito para o tédio, não tardando para que “Raskol” sentisse autocomiseração e uma profunda tristeza.

Já o filósofo Michel Henry, em sua espetacular obra, A Barbárie, demonstrou que o tédio não é a falta do que fazer, mas de algo que gaste energia e que realmente seja vivido com intensidade, sendo tal conceito definido pelo pensador como mundo-da-vida. Este mundo, segundo o autor, é aquele em que as pessoas são ativas, criativas e conquistadoras; ou seja, aquele em que os sujeitos são agentes na sociedade. 

Em contrapartida, há o tédio da internet, de programas televisivos ou de transmissões esportivas; espaços onde o indivíduo é um observador passivo, pois não gasta energia praticando, pelo contrário, somente observa e admira. Henry descreve esse cenário ao afirmar que as pessoas estão se entregando à ciência-da-máquina, deixando de se relacionar olho no olho. Percebe-se a espera de resultados positivos da vida, ao mesmo tempo em que abandonamos a própria vida, pois uma vez que somente observamos as atividades de pessoas distantes, o aprendizado dos outros, entre outros. Viver esse mundo-da-máquina alimentado por imagens virtuais e intocáveis aumenta a nossa possibilidade de uma vida insatisfeita.

Nem sempre o tédio surge da anestesia frente ao falseado mundo-da—máquina. Contudo, entre os jovens há grandes chances de ser assim, tendo como consequências neuroses psíquicas e, em casos extremos, o suicídio.
Uma possível solução seria realizarmos aquilo que não seja fácil, porém simples, gastando nossa energia para voltarmos ao mundo-da-vida.  Vida é o que fazemos quando visitamos pessoas amadas, damos uma volta no bairro, caminhamos no parque, praticamos um esporte, criamos algo, lemos um bom livro, escrevemos, brincamos na rua, vamos à igreja, etc.

Enfim, se o tédio consiste no excesso de energia acumulada sem objetividade prática, que passemos a liberá-la com tarefas simples, hoje esquecidas em troca das complexas, mas sem vida. Expulsemos o tédio!

(*) Paulo Ricardo Benedito Junior Bumbeer é professor do curso de História, da Área de Linguagem e Sociedade do Centro Universitário Internacional UNINTER

 
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