03/11/2021 às 16h26min - Atualizada em 04/11/2021 às 00h00min

Estudo da Russel Reynolds destaca paradoxo do setor de Consumo frente aos novos padrões ESG

Agenda sustentável é fundamental para 92% dos CEOs, mas apenas 48% deles incluem os objetivos de sustentabilidade nas operações e os cargos, em geral, não exigem experiência 

SALA DA NOTÍCIA Jacqueline A. Domingues

São Paulo, 03 de novembro de 2021 – Pesquisa realizada pela Russell Reynolds Associates, líder global em avaliação e busca de executivos C-level, aponta o paradoxo vivido hoje no setor de Consumo com os novos padrões de ESG. O estudo mostra falta de estratégia e comprometimento de organizações e lideranças. Embora muitas empresas tenham diretores de Sustentabilidade, poucos executivos têm conhecimento adequado sobre o assunto, investem na construção da área ou mesmo se reportam para quadros estratégicos das companhias. A Russell Reynolds Associates analisou um grupo de empresas pioneiras em Sustentabilidade para entender melhor como as organizações podem levar ESG para o DNA das equipes de lideranças. 

“As empresas de Consumo relacionam-se diretamente com seus consumidores e fornecedores, além de estarem sempre sob a influência de outros stakeholders. Os consumidores, por sua vez, estão cada vez mais buscando marcas que atuem com transparência e comprometimento com o ambiente onde vivem. O nível de exigência aumenta, estamos falando de altos padrões, e quando as empresas não conseguem entregar esses modelos, sofrem com as críticas daqueles consumidores que discutem digitalmente sobre marcas e produtos”, analisa Mariane Montana, diretora de ESG da Russell Reynolds.

Enquanto algumas empresas de Consumo estão adotando práticas de sustentabilidade e tomando medidas para reinventar modelos de negócios, outras estão ficando para trás. Muitos CEOs concordam que a Sustentabilidade é importante, mas poucos estão tomando medidas em relação a isso, de acordo com a análise. Foram medidos três indicadores: 92% das lideranças acreditam que a integração da sustentabilidade é fundamental para o sucesso dos negócios, mas apenas 48% delas estão realmente integrando a sustentabilidade em suas operações e menos ainda, somente 21% acreditam que os negócios estão atualmente desempenhando um papel crítico para seguir as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentabilidade (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Os ODS exigem que as empresas se concentrem em múltiplos componentes da sustentabilidade simultaneamente, buscando maneiras de impactar positivamente a sociedade, o meio ambiente e seus colaboradores, por exemplo. 

O estudo mostrou que as métricas de negócios sustentáveis devem incluir desde supply chain, parceiros comerciais, direitos humanos, dando atenção aos impactos sociais dos produtos e serviços, até indicadores referentes aos seus colaboradores, como diversidade, relações e direitos trabalhistas, benefícios e remuneração, treinamentos, saúde e segurança;  e a práticas ambientais, como uso de recursos naturais e atenção aos impactos corporativos no ecossistema, e claro, governança: conselho independente, diversidade, remuneração para os executivos e cultura ética de liderança e compliance.

O levantamento da Russell Reynolds analisou 4 mil descrições de posições executivas em diferentes mercados e a conclusão é de que apenas 15% exigem requisitos relacionados à Sustentabilidade e apenas 4% solicitam especificamente experiência com a prática, mostrando que a sustentabilidade não é prioridade na maioria das contratações executivas e destacando a lacuna inerente entre a retórica e a realidade.

A notícia boa é que 85% das organizações têm um líder em Sustentabilidade, mas o problema é que raramente eles têm conexão direta com o CEO. Os líderes de Sustentabilidade geralmente ocupam várias funções e estão integrados às equipes de Marketing, Recursos Humanos ou Assuntos Corporativos. O levantamento global aponta que cerca de 27% dos atuais gestores de Sustentabilidade são da área de Estratégia, 24% de Marketing, 18% de Relações Públicas ou Comunicação, 13% de Compliance, 11% de Relações com Investidores, 9% de Comercial e Vendas e 4% de RH, reportando-se frequentemente a diretores de Marketing, de Comunicação ou general counsels. No Brasil, a Sustentabilidade vem ganhando relevância, mas observamos uma integração maior com RH e de Comunicação e Assuntos Corporativos.

“Como 69% dos líderes de Sustentabilidade do setor de Consumo estão no cargo há menos de um ano e 62% vêm de promoções internas, as organizações estão começando a construir essas funções. Os dados mostram que muitos estão apenas reagindo a problemas à medida que surgem e para resolver as preocupações de RP e marca, mas podem não estar construindo proativamente as melhores funções de sustentabilidade. A agenda precisa ser incorporada na estratégia do negócio e usada para avaliar novas oportunidades”, alerta Mariane Montana, que destaca caminhos para as organizações do setor:

Os líderes de sustentabilidade podem ser classificados de acordo com o grau de comprometimento com as operações internas em relação ao engajamento externo com stakeholders. O escopo depende do papel da empresa em relação às questões de Sustentabilidade e para onde vai seguir. 

Empresas focadas em gestão de risco de reputação podem escolher um líder mais focado externamente, com foco em parcerias e iniciativas voltadas para o cliente, enquanto as empresas interessadas em melhorar sua pegada ambiental podem escolher um líder que atue mais internamente, com foco em melhoria de processos de condução, como é o caso de supply chain. Para equilibrar os benefícios entre lucro e impacto social, é fundamental que todos os líderes criem visões mais estratégicas para a sua jornada com foco em Sustentabilidade, não apenas os gestores da área de ESG. Isso pode começar com a adoção de uma mentalidade sustentável. Para ter sucesso, as empresas do setor devem contratar, promover e desenvolver as lideranças, inserindo metas e criando estratégias para cada função incorporar o tema. Assim as organizações podem se colocar na melhor posição para operar de forma eficaz, proativa e sustentável.

O estudo global foi realizado em parceria com a United Nations Global Compact (UNGC) e analisou equipes de liderança de mais de 50 empresas de Consumo de capital aberto, desde organizações multinacionais de produtos de consumo até empresas de consumo digital hotelaria e varejo. 


Sobre a Russell Reynolds Associates 
A Russell Reynolds é líder global em consultoria e busca de executivos. Com atuação junto a organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos em mais de 26 países, a consultoria atua em todos os setores da economia. A Russel Reynolds apoia os clientes a construir equipes de líderes transformacionais que podem enfrentar os desafios de hoje e antecipar as tendências digitais, econômicas e políticas que estão remodelando o ambiente de negócios global. Desde ajudar os conselhos administrativos com sua estrutura, cultura e eficácia até identificar, avaliar e definir a melhor liderança para as organizações, a empresa traz 52 anos de experiência para apoiar os clientes na solução de seus problemas de liderança mais complexos. A Russel Reynolds existe para melhorar a forma como o mundo é liderado. Mais informações em www.russellreynolds.com.


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