25/07/2019 às 13h26min - Atualizada em 25/07/2019 às 13h42min

Julho Amarelo alerta para cuidados com as Hepatite Virais

De acordo com o Boletim Epidemiológico 2018, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 40.198 casos novos de hepatites virais só em 2017. Os casos da doença mais que dobraram, principalmente em homens de 20 a 39 anos. De 1999 até 2017, são 718.837 infectados com hepatites virais.

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Julho Amarelo alerta para cuidados com as Hepatite Virais

Por Dra. Juliane Gomes de Paula

O “Julho Amarelo” deste ano faz referência à data de 28 de julho, escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para celebração do Dia Mundial de Luta contra as Hepatites. O termo hepatite significa inflamação do fígado, órgão vital que processa nutrientes, filtra o sangue e combate infecções. Quando inflamado ou danificado, sua função fica comprometida.

Muitas são as causas de hepatites, como por exemplo alcoolismo; toxinas; algumas medicações; doenças infecciosas sistêmicas, como a febre amarela, que comprometem diversos órgãos, entre os quais o fígado; além de raras doenças metabólicas, autoimunes e genéticas.

Contudo, frequentemente são causadas por vírus que agridem especificamente o fígado, sendo designadas genericamente pelo termo “hepatites virais” e por letras maiúsculas, sendo os principais tipos as hepatites A, B, C, D (delta) e E.

Características

A hepatite A pode ser prevenida pela vacinação. É frequentemente transmitida pelo contato pessoa a pessoa, via fecal-oral ou consumo de alimentos contaminados. É uma doença autolimitada (não evolui para a cronicidade). A maioria dos que a adquirem, apresentam sintomas de febre no início, fadiga, perda de apetite, dor abdominal, náusea e icterícia (coloração amarela do branco dos olhos e pele), urina escura e fezes claras, evoluindo para cura em até 2 meses. Crianças com menos de 6 anos tem infecção sem sintomas e não reconhecida.

Embora a maioria dos casos evolua para cura espontânea, há a possibilidade de evolução grave em 1% deles. É a chamada “hepatite fulminante”, com falência hepática e necessidade de transplante de fígado para sobrevivência. Os anticorpos contra a hepatite A conferem imunidade vitalícia e protegem contra reinfecção. Contudo, a melhor maneira de preveni-la é através da vacinação, aprovada desde 1995.

Já a hepatite B é transmitida pelo sangue, sêmen ou outras secreções corporais, a partir de uma pessoa contaminada para outra não imunizada. Isso pode ocorrer através de contato sexual, compartilhamento de seringas, agulhas ou outros equipamentos para injeção de drogas, “piercings” ou tatuagens, ou através da mãe para o bebê (transmissão congênita). Algumas pessoas apresentam infecção aguda sintomática. Outras podem evoluir para formas crônicas em porcentagens que variam conforme a idade: 90% dos bebês contaminados se tornam cronicamente infectados, enquanto adultos de 2 a 6%. Pode levar a graves consequências como cirrose e câncer hepático. A melhor forma de se evitar a hepatite B, também, é através da vacinação, liberada desde 1983.

A hepatite C é transmitida pelo sangue. Atualmente, a maioria das pessoas se tornam infectadas por este vírus compartilhando equipamentos para injeção de drogas. Para algumas pessoas, ela é autolimitada com cura espontânea. Porém de 70 a 85% das pessoas que adquirem a “C” desenvolvem doença crônica, que pode levar inclusive ao óbito.

A maioria dos infectados pode não ter conhecimento da doença por ela ficar sem apresentar sintomas por longos períodos. Como não há vacina para ela, a melhor maneira de preveni-la é evitar comportamentos como uso de drogas injetáveis e “piercings” e tatuagens sem material descartável e individual.

A hepatite D, ou “delta”, apenas ocorre em pessoas infectadas pelo vírus B. É um vírus incompleto, que necessita do “B” para se multiplicar. O vírus D é transmitido pelo contato com sangue contaminado. Logo, algumas pessoas podem adquirir em conjunto os vírus B e D, ou terem a hepatite B e depois se contaminarem com o D. No Brasil, os casos reportados são geralmente da região Norte. Não há vacina contra esta. A melhor prevenção é a vacina contra a B.

A hepatite E é uma doença autolimitada que não resulta em cronicidade. É comum em diversas partes do mundo, sendo relatada esporadicamente no Brasil. É transmitida através da ingestão de matéria fecal, mesmo que em quantidades microscópicas, sendo usualmente associada à contaminação de suprimentos de água e alimentos, à semelhança da hepatite A. Esse tipo pode afetar rebanhos suínos e, portanto, as formas de prevenção incluem os cuidados com o consumo de água tratada e o bom cozimento dos alimentos, principalmente a carne de porco. Não há vacina aprovada para E.

Dados

O impacto causado pelas hepatites virais nas populações e sistemas de saúde pelo mundo é grande. Dados da OMS estimam que pelo menos 400 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas cronicamente pelos vírus da hepatite B e C. Além disso, que haja 1,4 milhão de pessoas infectadas anualmente pelo vírus da hepatite A.

Acredita-se que 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer hepático estão diretamente relacionados aos vírus das hepatites B e C. Por fim, é estimado 1,5 milhão de mortes relacionadas às hepatites virais.  

No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza a série de dados epidemiológicos sobre as hepatites virais de 1999 a 2018, sendo contabilizados no período 89.539 casos de hepatite A, 233.027 casos de hepatite B, 228.695 casos de hepatite C e 3.984 casos de hepatite D, com 38.411 óbitos atribuídos a esses vírus no período.

Muitos casos não apresentam sintoma algum e isso aumenta sensivelmente as chances de transmissão para pessoas não vacinadas, bem como riscos de evolução para formas crônicas, como cirrose e câncer. Por isso, é extremamente importante a conscientização da população para que rotineiramente procurem o serviço médico para a realização de exames de rotina que incluam as sorologias para as hepatites virais, a fim de que as pessoas não imunizadas possam receber as vacinas disponíveis paras as hepatites A e B, para que recebam orientações para prevenção das hepatites que não contam com vacinas disponíveis e que possam ter o diagnóstico precoce, quando a infecção já tiver ocorrido, para que cuidados e tratamentos específicos possam ser dispensados.

*Dra. Juliane Gomes é Infectologista do HSANP, centro hospitalar da Zona Norte de São Paulo (SP).



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