14/11/2019 às 13h39min - Atualizada em 02/12/2019 às 11h03min

Mercado em torno de concursos públicos segue firme e professor chama a atenção para o discernimento no meio de tantas informações: "menos é mais"

Num mundo inundado de informações irrelevantes, ter clareza é habilidade, confessa Felipe Duque. Alerta que a principal comoditie é a sua atenção, ressaltando a vulnerabilidade do estudante e como alcançar o discernimento diante da imensa quantidade de estímulos, conhecimento e a inserção na cultura do excesso. Conclui que não há método único, sendo necessário profunda intimidade e renova o Projeto Ombro Amigo 2019.

DINO
https://www.instagram.com/felipe_duque/

O primeiro concurso do Brasil foi do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), em 1937. Hoje, o mercado de concursos públicos movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, de acordo com dados da ANPAC, e a preparação passa por um cuidado relevante – a quantidade– de informações disponíveis e como ter - discernimento -, no meio de tantas opções.

É o que alerta o Professor Felipe Duque, convidado para falar sobre o tema, registrando que foi reprovado em diversos concursos.

A ampla disseminação de conteúdos para concursos é prejudicial?

Felipe Duque: Não. É uma maravilha, seria ingratidão dizer isso! O problema surge com o que cada um faz com a imensa quantidade de estímulos. E isso é muito pessoal. Em geral, não somos educados a por limites dentro da “cultura do excesso” (Gilles Lipovetsky). Em 2009 só havia o “Super Provas”, para fazer questões. Jurisprudência antes do Dizer o Direito? Nossa, era penoso demais. Estávamos concentrados até por limitação de opções, em poucas fontes de conhecimento.

Hoje, o estudante é demasiadamente vulnerável. São muitas pressões de todos os tipos. Interna e fora dos concursos também. Existem 2,5 quintilhões de bytes de dados criados diariamente, e num mundo inundado de informações irrelevantes, ter clareza é habilidade (Yuval Harari). Em “Privacidade Hackeada”, afirma-se que a principal comoditie são os dados. No mundo dos concursos, acredito que é a sua atenção. Pois, o excesso de distrações é um dos grandes obstáculos nos estudos e na vida.

Como se blindar do excesso de distrações?

FD: É complexo. Lido e luto diariamente. Um aviso pelo risco de ser mal interpretado. Sou grato às informações de qualidade e não possuo nada contra nenhum curso/material/livro/apostila. Falo das minhas vivências e aprendizados, por isso surgiu o Experiências Compartilhadas. Aconteceu quando estava na prova oral o que se narra em Sociedade do Espetáculo (1947, Guy Debord): eu, alienado, rotulei meu desejo (ser aprovado) e me condicionei a tudo do consumo (comprar todos os materiais e cursos). Porém, o que mais valeu foi apenas o primeiro curso, ou melhor, treinar com os amigos que era gratuito. 

Por isso, para mim, “menos é mais” em concursos, só que isso não é dissipado porque é contra a "cultura do excesso" no consumismo e não vende. Como chegar para o Estudante e dizer que ele não precisa ter todos os materiais, sair de alguns grupos de aplicativos, parar de comprar tudo que aparece, brilha e pisca? Ele pode achar que você não quer o bem dele! É árduo, nos anos 2000 você tinha só o William Douglas falando sobre concurso, hoje é uma vastidão de “gurus”. Você fica confuso. É claro que há unanimidades como o “DizeroDireito”, mas há uma extrema necessidade de discernimento pessoal. A consciência do “autoconhecimento” que Jesus, Buda e Sócrates diziam.

Como encontrar o discernimento, então?

FD: Essa pergunta é tão cíclica e instável, feito eu mudar de opinião depois dessa entrevista... Veja, especificamente em mim, só surgiram resultados eficientes quando comecei a 1) duvidar, não no sentido de desacreditar, mas na visão de se interrogar se o material “x” ou a forma de aprender “y”, pode ser aplicada observando minha história pessoal? Olhando lá atrás, minha forma de aprender na infância, no colégio, na faculdade.

Com base nisso, parei de comprar ideias pela “capa”. Largar um pouco as aparências, sair da superficialidade. Do raso. Mergulhar. Não é porque a capa é bonita, que o conteúdo será profundo e proveitoso para mim.

Agora, uma vez definido algo que te serve, vá até o fim também. Você pode oscilar, você pode mudar, claro. Mas, às vezes prejulgamos toda a experiência sem completar o caminho todo. Explico. Leio o primeiro capítulo, faço 1 mês de um curso, e por causa disso, deixo de atingir a leitura ou o material e já rotulo: “não presta”.

É que para muitos de nós, é como se sentir o "efetivo estudo" - caminhando, (já que o entorno está tão enevoado de informações), só é possível se a mente estiver muito estimulada por excessos de todo tipo. Como se fosse preciso colocar um pote inteiro de sal na comida para finalmente sentir seu sabor.

Afinal, qual o melhor método de estudos?

FD: Que bola dividida. Sempre tive um receio danado de falar sobre o método (já fiz de todos), pois sei que cada ser humano carrega jeitos e experiências distintas. Individualidades. É necessário olhar sua própria história de aprendizagem. O meu medo era que as pessoas achassem que só o meu modo era “certo”, querendo ser “Felipe” e deixando de ser João, Maria....quando isso não existe!

Nós não cabemos. Não adianta que nos encaixem. Foi justamente contra essa ideia de "rótulo", ou melhor, métodos prontos e inalteráveis, massificação/linha de produção, que surgiu o projeto do Experiências Compartilhadas, que hoje está no YouTube e Spotifypara contar sobre as dificuldades, métodos e experiências de pessoas que passaram em concursos.

Cada pessoa possui um universo de experiências profundamente íntimas. Como você estudou na infância? Como você absorveu a vida toda? O seu método que dá certo para você é o certo.

Logo, havia dois propósitos que me incomodavam quando criamos o Experiências Compartilhadas: 1) não há um método único, estanque, inalterável: eu e meus irmãos estudamos de formas diferentes; 2) mostrar os dias difíceis dos aprovados, e não os sucessos. Vida Real. Cá entre nós, num mundo em que o Lattes é a apresentação que chega na frente da pessoa, eu brincava que sou um especialista na arte de errar - lato sensu, viu.

Projeto Ombro Amigo 2019

O POA surgiu no Natal de 2018, foi um acompanhamento gratuito de estudos para ajudar "de fato, quem precisa. Infelizmente, as oportunidades que a vida nos dá não são iguais para todos. Por isso a ideia", conta. O único requisito é possuir ausência de condições financeiras. Para se candidatar, basta enviar um email com sua história que será mantida em segredo e não será divulgada. Esse ano, a escolha se dará no dia 23/12/2019.

Felipe Duque é Procurador da Fazenda Nacional, Mestre em Direito Político e Econômico pela Mackenzie-SP e é estudante jurídico desde 2009. Mais informações serão divulgadas no Instagram: @felipe_duque.

 


Website: https://www.instagram.com/felipe_duque/
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