19/12/2019 às 16h46min - Atualizada em 20/12/2019 às 04h12min

Fim de ano gera a oportunidade de avançar da simples doação para uma ação voluntária efetiva

Com 4,4% de sua população engajada em projetos de voluntariado, o Brasil possui um exército silencioso de quase 7,5 milhões de pessoas envolvidas nesta atividade.

DINO

A partir da metade de novembro a busca frenética por inovação sempre abre um pouquinho de espaço para a tradição. As cidades ganham mais luzes. O vermelho começa a se destacar nas vitrines e tudo ao nosso redor parece conspirar para formar um ambiente de maior sensibilidade. Nesse contexto surgem o amigo secreto, as sempre animadas confraternizações e, junto com tudo isso, as infalíveis sacolinhas de Natal. Elas permitem às pessoas sentirem a sensação gratificante de presentear um desconhecido, geralmente uma criança ou um idoso.

Mas apesar do prazer desta doação, tanto para quem dá quanto para quem recebe, será que ela é o máximo que se pode fazer? Será que ao invés de somente comprar um brinquedo para dar a uma criança não é possível ir até uma instituição e brincar com ela pelo menos por um dia? Seria muito imaginar que mais do que somente comprar um livro poderíamos contar pessoalmente uma história para uma criança?

São apenas exemplos de atitudes que podem ser tomadas para que possamos ir além da doação. Isto é necessário porque muitas pessoas, e até empresas e outras instituições, confundem doação com voluntariado.
Quando se presenteia alguém com um bem material ou alguma importância financeira, isto é uma doação e não voluntariado.
No mundo corporativo acontece muito essa confusão. Não são raras as companhias que anunciam uma campanha do agasalho, por exemplo, como seu programa de voluntariado. Isto é um erro. Campanhas como as do agasalho são apenas projetos de doação.

O voluntariado exige doação de tempo. Oferecimento dos talentos. Ele vai muito além de algo físico ou material. Voluntariado de verdade proporciona experiências. Vivência da situação do próximo. Gera histórias para contar de forma que o voluntário também seja beneficiado com a convivência.
Então, que se possa usar este final de ano para uma reflexão. E que a sacolinha de Natal de 2019 seja uma porta de entrada para uma ação voluntária mais efetiva em 2020.

Com 4,4% de sua população engajada em projetos de voluntariado, o Brasil possui um exército silencioso de quase 7,5 milhões de pessoas envolvidas nesta atividade. Ainda assim, está com a pior colocação entre os países da América Latina em 2018, segundo World Giving Index, a maior pesquisa sobre o grau de solidariedade das nações.

Dessa forma, esse despertar para uma ação que vá além da simples doação é mais do que urgente. E não é somente para conseguir ajudar os outros, pois está mais do que provado cientificamente que ajudar alguém traz reações fisiológicas que desencadeiam uma série de benefícios ao corpo e à mente, como menos reatividade ao estresse, menor resistência à insulina, níveis mais altos de colesterol HDL ("bom"), melhor sono e padrões de atividade cerebral que foram associados a níveis mais baixos de depressão.

Já que o fim do ano é apenas uma pausa na busca frenética pela inovação, aproveite o clima e inove. Entre na nova década sendo um voluntário de verdade e não somente um doador.

* Giuliana Preziosi é sócia da consultoria Conexão Trabalho, graduada em Comunicação Social com especialização em Planejamento Estratégico pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), MBA em Gestão da Sustentabilidade e mestranda pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou na área de Sustentabilidade e na criação de Programas de Voluntariado de grandes companhias e é membro organizadora do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial.


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