28/01/2021 às 17h28min - Atualizada em 29/01/2021 às 17h20min

Carta às mulheres e a quem interessar possa

SALA DA NOTÍCIA Filipe Roberto
Divulgação

Dez mil anos de humanidade e agora as mulheres estão chegando ao lugar delas. Acabou a era da força física onde a clava definia o poder. Isso foi se construindo pelas mãos de heroínas que lutaram e morreram bravamente para se fazerem vistas e por essa geração que não teme o escárnio de alguns poucos idiotas que não perceberam a falência do poder do homem.

Diante dessa ascensão da mulher e da subserviência da sociedade como um todo a grandiosidade da mulher, alguns homens, normalmente prepotentes e arrogantes, paladinos da moralidade e defensores da chamada família tradicional brasileira, agem como aqueles garotinhos mimados que são donos da bola e querem acabar com a brincadeira por não fazerem as suas vontades. Mas aqui a bola não é deles.

Está estampado em todos os jornais os casos de feminicídio, de agressões, relacionamentos abusivos onde homens que não tem o mínimo de caráter e não sabem nem e respeitar e se dar ao respeito são algozes de suas cônjuges que não obedeceram aos seus caprichos. Típico de quem perdeu a admiração, o respeito e o amor por erros grosseiros e corriqueiros cometidos na vida do casal.

Tipos de relacionamento abusivo

Fala-se muito também no tal relacionamento abusivo, onde normalmente o homem força a submissão da mulher as suas vontades, para poder cometer suas atrocidades sem que a mulher reclame. Afinal é a única forma de eu ver a submissão ser melhor do que uma parceria, cumplicidade e companheirismo. A submissão da mulher é conveniente para o marido retrogrado, arrogante e traidor, afinal ele pode tudo e ela não pode nada. 

Dentro desse relacionamento abusivo, temos as violências psicológicas, físicas, financeiras e sexual. Um verdadeiro terror que os paladinos da moralidade cometem para manter suas companheiras debaixo de suas asas.

Na violência psicológica, normalmente o homem consegue convencer a mulher que ele é o grande salvador dela, por isso ela tem que aturar tudo o que ele faz, dando sustentação para as outras violências.

Se ele é o “deus” dela, ele pode transar quando quiser, independente da vontade dela, bater e xingar, pois ele perdeu a cabeça porque a ama e só quer o bem dela e ela é muito teimosa e, na parte financeira, não a deixando trabalhar e ser independente para que ela precise ficar para sempre submissa a ele. Quero quebrar logo a primeira premissa.

Entendendo a posição de cada um

A mulher tem que saber que se eles estão juntos não foi o homem que escolheu, foi a mulher. O homem nunca foi predador, ele é uma pressinha indefesa. Comparando com a floresta, a mulher é o leão e o homem é a zebrinha saltitante (para não falar veadinho e gerar outra discussão) que será abocanhada pelo leão que a escolher. Mas como? Não é o homem que corteja a mulher ha milênios? Sim. Mas ele corteja qualquer mulher? E a mulher que ele cortejar é obrigada a ficar com ele? Claro que não. Lembro bem dos meus tempos de adolescente quando frequentava festas, bailes que hoje chamam de balada.

Entrava num ambiente com mil mulheres e mil homens, o garoto olha para as mil meninas. Tirando uma ou outra que não lhe atrai em hipótese nenhuma, ele está aberto a ficar com mais de novecentas meninas, basta que lhes de um sorriso, que ele sinta que será correspondido em seu interesse.

A mulher escolhe uns três ou quatro. E ela ficara com um desses. Ou o que chegar primeiro ou o que a conquistar mais rápido por olhares ou outros sinais. Mas o menino que fica com ela poderia ficar com outras novecentas meninas. Então quem escolheu quem? O homem não escolhe, ele é escolhido sempre. Então meninas e mulheres, o poder de decisão é sempre de vocês, não importa o que falem.

Esse cara que está com você não é a pessoa que mais vai te amar na vida, é só o cara que você escolheu em determinado momento que seria melhor para você. Isso não te obriga a pagar por essa decisão errada para o resto da vida. E, a propósito, se você, que está lendo isso, ouvir de alguém que ninguém nunca vai te amar como ele, corre na hora que isso é o terror querendo se instalar.

Porque se você abrir seus olhos e coração e for autêntica e independente, outros vão te amar mais, cuidar melhor de você, tratar melhor, beijar melhor, transar melhor e até dormir sem roncar.

Quando a mulher entender que ela não depende do homem para nada e que ele não é o salvador dela, a primeira forma de violência se extingue e todas as outras perdem a força. Porque mulher nenhuma vai transar obrigada, apanhar calada ou entregar seu dinheiro para alguém que ela vê que não a respeita e quem ela não idolatra e confia. Confiança.

A palavra chave para relacionamentos e usada de forma deturpada pelos abusadores. Eles abusam da confiança, mexendo com o psicológico. Então, mulher, só confie e se for reciproco e o abusador normalmente não confia. Quem muito vê maldade é porque tem a maldade em si. Quem trai tem medo de ser traído.

O poder e a capacidade da mulher

Entro agora em um outro âmbito, um pouco mais abrangente. A questão do poder da mulher na sociedade. Não entendo o motivo da mulher não ter assumido o comando de todos os setores da sociedade. 

Nós homens confiamos nelas o poder de governar nossos filhos e nossa vida, em detrimento a nossa própria capacidade. Nós reconhecemos que elas são mais capazes, competentes e caprichosas que nós para cuidar do que mais amamos, e por que não de tudo?

Por que o homem tem tanta resistência? Acho engraçado que essa resistência é em vão. É só para demorar um pouco mais, pois é só questão de tempo para que as mulheres assumam todas ou quase todas as posições de gestão e comando. Tanto na esfera pública quanto privada e pelo orgulho e pela resistência, o que vai sobrar para o homem é a ferramenta com a qual ele sempre lutou: a força física, o trabalho braçal, o poder da clava.

Não queria entrar naquele papo clichê de leis mais duras, pois o homem tem certeza da impunidade e blablabla, mas uma coisa tem que ser ressaltado: Não conseguimos proteger nossas vítimas.

A mulher sofre estupro, agressões e quando vai na delegacia e diz que está sendo ameaçada, não há uma proteção. É como se não quisessem pesquisar uma vacina para prevenir, só um remédio para superar. Mas a morte não se supera e nem o trauma de mulheres sobreviventes e nem de crianças testemunhas da própria morte da mãe.

Vacine-se para não ter que remediar

Portanto, como esta é uma carta direcionada às mulheres, eu digo: Vacine-se! Toda vez que um homem começar a falar mais alto, ou vier de chantagem emocional se achando o próprio Jesus da sua vida, levante-se, toma um banho, arruma o cabelo, veste a roupa mais bonita, passa um batom e fala para o safado:

- Querido, a última batatinha do pacote aqui sou eu e igual a você tem mais três bilhões no mundo que eu posso escolher! -  e vai embora sem olhar pra trás. Salve sua vida e sua dignidade.

Concluindo, com as mulheres no poder, teremos muito mais tolerância com a condição do outro e muito mais respeito ao indivíduo e suas diversidades. Teremos mais empatia, mais capricho. Teremos mais amor.



Filipe Roberto é poeta e autor do livro Papo Reto e Poucas Ideia



 


 
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