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17/03/2021 às 16h48min - Atualizada em 18/03/2021 às 00h00min

Ta amarrado

SALA DA NOTÍCIA Filipe Roberto
Há tempos percebo que a ignorância é desculpa para atrocidades, mas o que mais me aflige é a exploração da ignorância por má fé.

Usam a ignorância para controle de massas e benefícios de alguns que sem nenhum escrúpulo pregam o ódio em nome do amor. É novidade? Não. Porém, num tempo em que a informação é jorrada por todos os lados, a ignorância é imperdoável.

Estou comentando da ignorância para falar da “demonização” das entidades sagradas da nossa cultura afro-brasileira. Quando se fala o nome de entidades, é muito comum ouvir de algum fanático cristão vomitar a expressão “tá amarrado”.

E não satisfeitos, ainda completam com “tá amarrado em nome de Jesus”. Quando ouço isso, questiono se a pessoa que diz é só ignorante ou é um imbecil no pior sentido da palavra, uma vez que o sagrado de ninguém merece ser amarrado, diminuído, menosprezado e muito menos demonizado. A fé de todos tem que ser respeitada em todos os seus ritos, dogmas e objetos.

O sujo falando do mal lavado

O que mais me incomoda é que quem demoniza o sagrado das religiões afro-brasileiras é quem tem uma fé também.

Pois se uma pessoa não conhece o conceito de sagrado, é esperado que não respeite nada nesse sentido, mas se a pessoa tem uma figura de “deus imaculado”, porque vai ridicularizar ou como já disse antes, demonizar o sagrado do outro? Será que na religião dele não ensinaram sobre empatia e amor ao próximo?

Te odeio em nome do amor

Já ouvi de cristãos que Jesus embasa o argumento deles quando diz que “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém chega ao pai senão por mim”, porém, quando Jesus diz isso, como em todos os discursos dele, ele quer dizer que ele é o amor, o amor encarnado e que só se chega em Deus, pelo amor.

Então só pode ser ignorância sobre sua própria fé que seus fiéis, quando fanáticos de antolhos, criticam, apontam, diminuem, desrespeitam, agridem, enxovalham e odeiam, dizendo ser em nome do amor e no ano novo pulam as sete ondinhas.        

            As forças da natureza existem e não há quem diga que elas não estão presentes no nosso planeta, pois vemos trovões, sentimos o vento, o calor do fogo, o balanço e a força das ondas e da correnteza dos rios. É real e concreto.

Em todos os povos antigos, essas forças da natureza foram cultuadas, endeusadas e personificadas e ninguém pode dizer se tal personificação é real ou não senão pela fé. E esses são grande parte dos orixás, divindades da cultura afro-brasileira.

            Portanto, explorando a ignorância religiosa, vamos para a ignorância estrutural e institucional. Nas escolas, aprendemos sobre mitologia grega, romana, egípcia e até nórdica que já foram abolidas dos hábitos e costumes de seus povos há séculos e não aprendemos nada sobre mitologia africana e indígena que ainda são vivas na crença, costume e na vida do nosso povo nos dias atuais, tanto quanto a mitologia judaico-cristã.

Se cultuam os orixás Olorum, Oxalá, Xangô, Iemanjá, Oxum, Ogum, Oxóssi, Iansã, Omulu, Nanã, Exu, entre outros e com suas variações com a mesma fé e o mesmo amor que se cultuam Jeová, Javé, Alah e Jesus. Não há motivo para só os africanos serem os tais “demônios”.
           
Queremos conhecer nossas origens


E eu, que sou um grande crítico do nosso sistema de ensino atual, clamo aos movimentos de cultura afro-brasileira para inserirmos os conhecimentos da mitologia africana junto com as religiões, as danças, lutas, gastronomia, costumes e dogmas que se formaram a partir dela.

Esse movimento é necessário para que “desamarrem” da ignorância a imbecilidade  desse preconceito e discriminação, afinal uma nação de mestiços em sua maioria pretos e pardos tem que conhecer a cultura de seus povos de origem.

E mesmo que as pessoas não sejam praticantes e nem fiéis, que possam respeitar e compreender que não existe apenas uma história. E que o caminho, a verdade e a vida vem pelo amor e o amor pode vir em várias roupagens, em vários nomes, cada nome dado por um povo, levando praticamente a mesma mensagem trazendo respeito ao próximo, qualquer que seja sua fé.

Enquanto todos os fiéis, de todas as religiões, não compreenderem que a mensagem e o ensinamento divino é amar a(os) Deus(ses) sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, será quase impossível ser cristão e para aturar tudo isso, tem que ser muito evoluído para ser “macumbeiro”.

Filipe Roberto é autor do livro Papo Reto e Pokas Ideia

Sobre a obra:

O problema da vida não está nas respostas que buscamos, mas nas perguntas que fazemos. Quem sou? Qual meu espaço? Onde quero chegar? E que preço quero e/ou posso pagar por isso? Quais meus sonhos? Quais meus medos? E por que esses medos me impedem de realizar os meus sonhos? São as perguntas que devemos nos fazer diante de cada situação da vida. Este livro pretende despertar as respostas para cada uma dessas perguntas. Só uma curiosidade: O que você deixou de ser quando cresceu?

Sobre o autor

Filipe Roberto, nascido e criado na Vila da Penha, bairro do subúrbio carioca, situado na zona  norte, onde é muito forte a influência do samba e do funk, seus berços culturais. Vendedor por formação, pai de Sofia e Betinha, filho de Nancy e Paulo Roberto, este já falecido e que o ensinou a pensar.

Já foi bancário, comerciante e funcionário público e sempre largou tudo por algo que o desafiasse e o apaixonasse. Escritor por vocação e Poeta por devoção, curioso e apaixonado pela cultura afro-brasileira como a Umbanda, o Candomblé, a Capoeira, o Samba, a arte escrita sempre foi presente em sua vida, seja lendo ou transmitindo suas ideias e visão para o papel.

As vezes uma visão romântica e densa como a poesia e as vezes pesada e direcionada como critica política e social. Autor do livro Papo Reto e Pokas Ideias, onde conta como conseguiu mudar a sua vida transformando caos em paz. Autor de algumas poesias entre elas cordéis, sonetos e acrósticos, amante da rima mesmo que pobre e autor de alguns artigos de crítica e sugestão política e social amplamente publicado pela mídia geral e especializada.  


 
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