02/04/2019 às 16h50min - Atualizada em 03/04/2019 às 00h00min

Metabolismo Ósseo: mitos e verdades sobre o enfraquecimento dos ossos

Especialista indica que uma das principais causas é a queda nas taxas de hormônios sexuais

DINO
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Nossos organismos possuem um claro ritmo evolutivo durante a vida o qual envolve o avanço em número e organização celular até o alcance do organismo adulto, seguido por um platô funcional variável que evolui para o declínio qualitativo celular difuso de todo o organismo.

A formação óssea se dá pela geração de um arcabouço orgânico composto principalmente de um tipo de colágeno no qual são agregados os componentes minerais, notadamente fósforo e cálcio.

Os dois tipos celulares mais importantes compreendem os osteoblastos, os quais são responsáveis pela produção da matriz nova (arcabouço orgânico-principalmente colágeno) para o osso, e os osteoclastos, estes são destinados ao processo inverso, à destruição óssea, sendo esta a composição para renovação óssea constante.


A reposição hormonal está sempre indicada na menopausa para evitar a osteoporose?


Mito: porém pode estar indicada, como explicado abaixo.

Do nascimento até a vida adulta este processo é gerido por vários hormônios, enquanto na fase de crescimento o protagonismo é encampado pelos hormônios do crescimento e tireoidiano, a partir da puberdade os hormônios sexuais assumem papel crescente em todas as searas, notadamente na mineralização da matriz óssea.

Em média a partir dos 35 anos de idade começa a haver uma lenta e progressiva desmineralização óssea que no sexo masculino é mais expressa depois da sexta década, enquanto nas mulheres o processo é bastante exacerbado durante a menopausa. Tal diferença norteia a importância dos hormônios sexuais na sustentação do universo mineral dos ossos.

A presença de osteoporose na mulher no período climatérico pode ser a condição indicativa de reposição hormonal, desde que não haja contraindicação para a conduta. Outros tratamentos serão associados, mas indubitavelmente a terapia de reposição otimizará sobremaneira o processo de remineralização.


Tireóide hiperativa aumenta o risco de osteoporose e fraturas?

Verdade.

O entendimento de que os hormônios tireoidianos têm responsabilidade fisiológica no metabolismo basal e seus níveis normais mantém a velocidade estável em todas as reações químicas no organismo, traz a compreensão que seu excesso exacerba o metabolismo difusamente, no que contempla mais catabolismo que anabolismo, o que em nível ósseo leva a osteoporose.

Portanto, o hipertireoidismo, assim como o uso inadvertido de hormônios tireoidianos no mais das vezes com a intenção de emagrecer, pode levar a osteoporose.


O Diabético apresenta maior tendência a osteoporose?

Verdade.

A insulina tem importante papel no anabolismo orgânico por toda a vida e sua deficiência gera déficits variáveis na estruturação de vários componentes orgânicos, o que inclui a matriz óssea.

O diabético tipo 1 porta defeito completo na produção de insulina e inicia a doença muito jovem (na maior parte das vezes), necessitando desde muito cedo a reposição deste hormônio, por isso o comprometimento no alicerçamento ósseo é maior nestes pacientes que aqueles portadores do tipo 2 da doença, os quais possuem déficits parciais na produção insulínica e são acometidos mais tardiamente em suas vidas.


Considerações finais

A Osteoporose pode decorrer de outras doenças afora Diabetes e Hipertireoidismo, assim como vários medicamentos em uso continuado podem patrocinar perda de estrutura óssea, com destaque para o uso de corticoides.

A hipovitaminose D tem ganhado importância crescente, ainda que inicialmente supra mensurada por equívocos estatísticos. A vitamina D que utilizamos é fabricada em nossa endoderme necessitando de ativação pelos raios solares, o que faz o modelo de vida urbano possa impedir eventualmente uma insolação compatível com o necessário para esta ativação, daí a necessidade da avaliação dos níveis desta vitamina de tempos em tempos, especialmente nos grupos com maior risco para Osteoporose como os citados acima.

A feitura de Densitometria Óssea pode ser eventualmente feita anualmente a depender do diagnóstico desta patologia, sendo que a ausência de alteração no entorno temporal da Menopausa deixa a critério médico uma próxima reavaliação, que parece bem providencial após os 60 anos em homens e mulheres.


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