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31/05/2023 às 21h41min - Atualizada em 02/06/2023 às 00h01min

Crime e Castigo 11:45

Temporada no Sesc Ipiranga

SALA DA NOTÍCIA Redação
Thais Grechi
Escrito e interpretado por Liliane Rovaris, Crime e Castigo 11:45 estreia em junho no Sesc Ipiranga

Solo atravessado por músicas do David Bowie aproxima o público ao clássico de Dostoiévksi de forma descomplicada, acolhedora e bem humorada. A atriz mescla Crime e Castigo com a história de seus pais, fazendo um tipo de celebração da vida 

 

Crime e Castigo 11:45 surge do encontro da atriz Liliane Rovaris com o clássico absoluto do autor russo Fiódor Dostoiévksi (1821-1881). Apesar de já conhecer a obra, a atriz embarcou na releitura, durante o período de luto pela perda de seus pais, motivada intuitivamente por um sentimento de solidão e uma possibilidade de recomeço, ações que encontram eco na trajetória de Raskólnikov, o protagonista do romance. 

Assim, tendo como princípio aproximar o livro do público de forma descomplicada, acolhedora e inclusive, bem humorada, à medida em que Liliane conta a história criada pelo genial autor russo, traça paralelos com histórias sobre seus pais, tornando a ideia do luto um tipo de celebração da vida.  

A peça, que estreou em 2022 no Rio de Janeiro, tem sua temporada paulistana no programa Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga, entre os dias 9 de junho e 9 de julho, com apresentações às quintas e sextas-feiras, às 21h30; aos sábados, às 19h30, e aos domingos, às 18h30.

Com uma equipe de criação e produção majoritariamente feminina, a montagem tem texto da própria Liliane Rovaris e direção de Camila Márdila, atriz premiada do filme Que horas ela volta e da série Bom Dia Verônica, que marca sua primeira direção no teatro. As duas já têm uma parceria de longa data, tendo dividido diversos outros trabalhos, incluindo a realização de espetáculos teatrais e oficinas para atores desde 2013.

Dostoiévski conduz seus personagens com um sentimento de compaixão, mostrando suas contradições sem jamais julgá-los ou encerrá-los em uma definição. 'Em tempos de julgamentos imediatos, parar, observar, esperar o que vem a seguir, antes de decretar algo, foi um alento para mim. O livro foi me dando a calma e a possibilidade de enxergar aquele momento como algo em transição, em transformação’, analisa a atriz.

No decorrer da criação, em 2018, Liliane se deparou com a notícia de que Crime e Castigo é um dos livros mais lidos entre os presidiários no Brasil. Em troca de dois dias de liberdade eles apresentam um resumo do livro. E é uma dessas resenhas, publicada na matéria jornalística, que inspira o recorte dramatúrgico da peça:

Dostoiévski narra a história de Raskólnikov, um jovem estudante que comete um duplo assassinato e é perseguido por sua própria consciência até que conhece uma prostituta, Sônia, única pessoa para quem consegue contar sobre o crime cometido.

É essa trajetória que a artista narra e encena em paralelo com suas próprias memórias, incluindo uma experiência que envolve o ídolo da música, David Bowie, cujas músicas atravessam o solo. 

O cenário remete ao quarto dos pais da atriz que, apostando na potência transformadora de se compartilhar uma história, se inspira em peças performáticas, como as de Lola Arias, artista argentina que tem como marca a sobreposição entre realidade e ficção, e como as do norte americano Spalding Gray (1941-2004), cuja presença vibrante parecia sempre celebrar o milagre de estar ali, no teatro, contando uma história. 

Durante o processo, Liliane trabalhou o texto em uma oficina para jovens internos que cumprem medidas socioeducativas no Degase.

Através deste contato, a atriz pôde confirmar a importância e a capacidade de interação do livro com diferentes realidades, reforçando a escolha por um caminho direto e acolhedor na forma de contar essa história, fora do lugar erudito e inacessível  por vezes atribuído à obra. 

Revelar essa trajetória, que vai da extrema contração do ódio à redenção pela compaixão em tempos de muita intolerância, fez sentir ainda mais forte o desejo de levá-la para o teatro.

 

Ficha Técnica

Concepção e dramaturgia: Liliane Rovaris a partir da obra de Dostoiévski

Direção: Camila Márdila

Atuação: Liliane Rovaris

Tradução do romance: Paulo Bezerra

Direção de arte: Branca Bronstein e Patrícia Tinoco

Direção de movimento: Denise Stutz

Assistente de direção: Flow Kountouriotis

Figurinista: Gabriela Marra

Iluminação: Sarah Salgado

Operação de som: Flow Kountouriotis

Fotógrafo: Pedro Prado e Thais Grechi

Design gráfico: Ana Carneiro

Direção de produção: Aura Cunha | Elephante Produções

Assistente de Produção: Yumi Ogino e Vini Silveira

Colaboração artística: AREAS Coletivo, Adriano Guimarães, Claudia Elias, Emergências Coletivo, Leo Bianchi e Tatiana Devos.

 

Cursos

Auto-ficção e literatura: processo de criação de solos teatrais
Com Liliane Rovaris e Camila Márdila (AREAS Coletivo)

Um mundo a sonhar
Criação de histórias a partir da obra de  Dostoiévski
Com Liliane Rovaris

 

Serviço

Crime e Castigo 11:45, de Liliane Rovaris

Teatro Mínimo

Temporada: 9 de junho a 9 de julho, às quintas e sextas, às 21h30; aos sábados, às 19h30; e aos domingos e feriados, às 18h30

Sesc Ipiranga – Auditório – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga

Ingressos: disponíveis no portal, a partir 30/5, terça-feira, 12h, e presencialmente nas unidades do Sesc São Paulo, a partir de 31/5, quarta-feira, às 17h. Valores: R$30,00 (inteira), R$15,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$10,00 (credencial plena).

 

Classificação: 14 anos

Duração: 70 minutos

Capacidade: 32 lugares

Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

 


 
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